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Quem são os políticos evangélicos no páreo das eleições 2014


candidatos evangélicosA força dos evangélicos nas eleições nunca foi surpresa para ninguém. Pelo menos não deveria ser. Há anos os evangélicos são maioria nos cargos públicos em todas as esferas do governo. Dados do iBGE e Datafolha dizem que eleitores evangélicos também são maioria no país e a bancada evangélica já é considerada como o terceiro partido nas câmaras municipais, estaduais e federais.
Neste ano, o crescimento do número de candidatos evangélicos teve um boom, maior que os anos anteriores. Dados apontam que esse crescimento já chega a 70% e cobre o número de candidatos de outras religiões. Na região do alto tietê, esse aumento também foi considerável, só para deputados (estadual e federal), a região soma mais de 4 evangélicos.
Já o número de pastores evangélicos, aumentou 40% nessas eleições. As eleições deste ano contarão com 270 candidatos que se declararam pastores, um crescimento de 40% com relação ao pleito de 2010 – quando 193 pessoas disseram ocupar o cargo. Além disso, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrou a candidatura de 32 bispos (25% a menos do que em 2010) e 23 padres (15% a mais).
O PSC lidera a indicação de sacerdotes: são 37 clérigos evangélicos – um deles é o pastor Everaldo, que disputa a presidência da República pelo partido. Nas últimas pesquisas Datafolha e Ibope, ele estava em quarto lugar com 3% das intenções de voto.
Os partidos de esquerda lideram as indicações de párocos católicos: o PT conta com cinco padres, e o PC do B, com três. Nenhum candidato adotou o termo rabino ou imã.
A população evangélica do país cresceu 61,5% em dez anos e atingiu a marca de 42,3 milhões de fiéis, cerca de 22,2% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado em 2012.
Evangélica no Poder – Com a morte repentina e trágica do candidato a presidência Eduardo Campos, a já conhecida e querida dos cristãos, Marina Silva, assumiu a campanha pelo PSB e já toma a ponta das pesquisas de intenção de votos, muitas vezes com empate técnico com a presidente em reeleição, Dilma Roussef (PT), outras vezes passando à frente, mas sempre a frente do, antes preferido e segundo lugar, Aécio Neves (PSDB).
Pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial divulgada mostra situação de empate entre a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, e a ex-senadora Marina Silva, candidata do PSB, com 34% das intenções de voto cada. A seguir, vem o senador Aécio Neves (PSDB), com 15%.
Segundo a pesquisa, entre os eleitores que se declararam católicos, Dilma aparece com 38%, Marina com 30 e Aécio com 18%. Entre os evangélicos pentecostais, Marina tem 41%, Dilma 30% e Aécio, 11%. Já entre os espíritas, Marina tem 44%, Aécio tem 21% e Dilma, 14%.
A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo” e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00438/2014. O Datafolha fez 2.874 entrevistas em 178 municípios nestas quinta (28) e sexta (29). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista.
Diante desses números, os ataques à presidenciável evangélica Marina Silva dobraram, não só da parte do PT, na pessoa da presidente Dilma, mas também da parte de Aécio Neves, que vem fazendo campanha mostrando mais do que a Marina não pode fazer do que o que ele pode fazer.
Já os partidos considerados ‘nanicos’, em que os candidatos a presidente aparecem por último na pesquisa, sem condições sequer de disputar um segundo turno, aproveitou a retirada das propostas de casamento homossexual das propostas de governo de Marina Silva, para atacar sua candidatura.
Os candidatos à Presidência do PV e do PSOL, partidos que defendem a causa LGBT, criticaram as mudanças no programa de governo de Marina.
“Não me surpreendeu em nada. A Marina já é conhecida por defender dogmas religiosos. E a nossa posição é justamente o oposto dessa, no sentido de garantir a laicidade do Estado”, disse Luciana Genro (PSOL) antes do início do debate.
Já o candidato Eduardo Jorge (PV) disse que chegou a ficar “feliz” com o “avanço” do PSB e dela (de Marina), mas durou pouco.
Bancada Evangélica – Para muitos do meio não evangélico, a força dos cristãos nessas eleições e também nas câmaras federais e estaduais, é muito grande. O número significativo de evangélicos que compõem as chamadas bancadas evangélicas já ultrapassou em muito o número de representantes de muitos partidos. Assim, pesquisas apontam que a bancada evangélica é considerada o terceiro partido no Brasil.
Crescimento de denominações protestantes aumentou representação na Câmara. Eleitores religiosos escolhem candidatos com valores parecidos aos seus. Se a bancada evangélica fosse um partido, ela seria o terceiro maior na Câmara Federal. A frente parlamentar evangélica, que conta com parlamentares das mais diversas denominações, tem 76 deputados, número superado apenas pelo PT (89) e pelo PMDB (82). Com tantos deputados, o grupo começa a ocupar espaços importantes na Câmara, como a liderança do PMDB e o comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara – fato que colocou o pastor Marco Feliciano (PSC) nos holofotes neste início de ano.
Não se trata de uma super representação: hoje, os evangélicos são 22,2% da população do país. O crescimento ocorreu nos últimos 30 anos. Em 1980, eram apenas 6,6% da população, a maioria ligada a igrejas tradicionais. Eram 7,2 milhões de pessoas, o equivalente à população atual do Pará. Segundo o IBGE, em 2010 os evangélicos já eram 42,3 milhões, população equivalente ao estado de São Paulo, a maioria em igrejas pentecostais.
Para o cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC-RJ, esse fenômeno coincide com o período de estagnação econômica ocorrido entre 1980 e 2000. As igrejas pentecostais cresceram na periferia dos grandes centros urbanos, regiões com população de baixa escolaridade e com pouco ou nenhum acesso ao poder público. A partir da última década, essas igrejas, assim como boa parte da periferia, migraram também para a classe média baixa.
Para o cientista político Luiz Domingos Costa, do grupo Uninter, os pastores souberam compreender o sistema representativo brasileiro. O eleitor evangélico vota dentro de sua comunidade, em candidatos com um perfil socioeconômico e um sistema de valores ideológicos e religiosos parecido com o seu – uma efetiva representação. Costa destaca também que os evangélicos souberam ocupar legendas pequenas e médias, como o PSC e o PRB.
Jacob, porém, aponta problemas na relação eleitoral das igrejas com os fiéis. Para ele, uma parcela considerável de igrejas pentecostais usa o culto como um espaço para propaganda eleitoral.

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