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Em reunião com produtores, Faeg estima que prejuízos da seca cheguem a R$ 1.2 bilhão


Durante reunião, produtores discutiram maneiras de minimizar os prejuízos da seca - Foto: Larissa Melo
José Mário
José Mário Schreiner alerta para os efeitos da seca em todo estado - Foto: Larissa Melo
Com uma perda geral que pode chegar a até 15% da produção em Goiás – o que representa cerca de R$1.4 milhão de toneladas - e perdas localizadas de até 100%, produtores de soja, milho, algodão se reuniram na manhã desta sexta-feira (23) para discutir as formas de minimizar os prejuízos da seca. A estimativa é de que os prejuízos cheguem a R$1.2 bilhão. O encontro foi realizado na sede da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), em Goiânia, e contou com a presença de mais de 50 produtores além do presidente José Mário Schreiner; do presidente da Aprosoja Goiás, Bartolomeu Braz e de representantes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Banco do Brasil e de associações e instituições relacionadas ao setor.
Pelo segundo ano consecutivo, o veranico e a falta de chuvas causaram danos irreversíveis ao produtor goiano. Consequências estas que, de forma indireta, chegarão primeiramente à indústria e, em seguida, ao consumidor final. Isto porque, estamos falando de alimentos que são a base alimentar das rações de gado e frango, por exemplo. Se alguns prejuízos se confirmarem nas produções de feijão, o aumento do preço pode ser mais imediato nas prateleiras dos supermercados. Mesmo com o retorno das chuvas nos últimos dias, as perdas já são irreversíveis, pois o período seco coincidiu com um momento fundamental para as lavouras, que é a fase de florescimento e enchimento de grãos, momento em que as plantas têm as maiores exigências por água.
Outro fator que agrava esta situação são as altas temperaturas registradas neste início de ano. Este calor associado a baixa umidade afeta diretamente o desenvolvimento das lavouras, causando abortamento de folhas, flores e vagens, menor peso de grãos e consequente queda no potencial produtivo das lavouras. Entre os cultivos afetados, o destaque fica por conta da soja, mas prejuízos em lavouras de milho e feijão também foram relatados pelos participantes do encontro. 
José Mário
Na safra passada, 2013/14, as chuvas começaram mais cedo e, por volta de 10 de outubro de 2013, grande parte dos produtores já havia iniciado o plantio da soja, principal cultura do estado durante o verão, que ocupa mais de 75% da área plantada. Nesta safra, 2014/15, as chuvas foram tardias e, por volta de 20 de outubro, muitos produtores ainda não haviam começado o plantio. O veranico e a seca atingiram agora não somente a fase dos enchimentos dos grãos, mas todas as fases do plantio em diferentes regiões, como a fase de flor, enchimento e secagem dos grãos.
Para o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, 2015 tende a ser um ano de maior insegurança. “Em 2014 tivemos seca em locais mais pontuais. Neste ano o quadro se agravou porque Goiás todo sofre com a seca. Os reflexos finais ainda dependem do clima que ainda está por vir nas próximas semanas, mas os impactos já são grandes. Não podemos esquecer que o setor agropecuário é responsável por 80% da exportação em Goiás e 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. A situação é preocupante, e muito!”, finalizou.
Perdas irrecuperáveis
Consultor agropecuário no município de Santa Helena de Goiás, Moacir José Rodrigues afirma que, no município, muitas plantações tiveram danos irreversíveis. Na média, o prejuízo foi de 30% a 40% da produção total nestas lavouras. “Nosso plantio foi retardado pela demora das chuvas e, além disso, as temperaturas estão muito elevadas desde dezembro. Acredito numa média de prejuízo de 40% na região”, afirmou Moacir, que também é produtor no Norte goiano.
Em Paraúna a situação não é muito diferente. De acordo com o presidente do Sindicato Rural, Flávio Augusto Negrão, dependendo da localidade e do tipo de solo de cada propriedade, algumas lavouras já perderam até 80% da produção, enquanto outras registraram perdas na casa dos 20%. “A média de perdas no município deve ficar em torno dos 30%. O que precisamos é de uma política clara e eficiente de seguro rural, que nos de a certeza de que poderemos usá-lo por completo, pois da forma como ocorre hoje não conseguimos nos proteger dos danos financeiros”, indignou-se.
Seguro rural, a única solução
Em 2014, a contratação de seguro rural foi realizada em cerca 825 mil hectares, o que representa apenas 14% da nossa área total. “O seguro rural é uma de nossas únicas soluções, mas há mais de 10 anos nós falamos isso e o seguro ainda não nos atende de forma adequada. Isso não pode ficar assim. Além disso, em muitos casos as financiadoras usam o seguro como moeda de troca para a liberação de crédito. O modelo ideal deveria ser como o dos Estados Unidos, onde o produtor tem 90% da produção segurada”, afirmou José Mário Schreiner.
José Mário comentou também sobre as duas últimas reuniões que teve com a ministra Kátia Abreu, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no qual tratou sobre o pagamento da subvenção do seguro rural da safra passada. “O Ministério tinha acordado a liberação de R$ 700 milhões para pagamento de subvenção do seguro rural Apesar disso, apenas R$ 400 milhões foram pagos até o momento. Agora estamos em diálogo constante com os Ministérios da Fazenda e do Planejamento para garantir a suplementação orçamentária que compense a verba que não foi paga às seguradoras”, completou.
Atenciosamente,

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