De forma reservada, auxiliares mais próximos da presidente Dilma Rousseff já reconhecem que uma grande mobilização pelo país contra o governo pode ser decisiva para acelerar o processo de impeachment no Congresso Nacional.

Se as manifestações alcançarem a mesma marca das de março do ano passado, o governo reconhece que ficará pressionado pela insatisfação popular.

O governo teme que isso se reflita em uma debandada de partidos da base aliada, como o PMDB já sinalizou na convenção nacional deste sábado (12).

O Planalto já trabalha com um cenário de que outros partidos, como o PP, o PR e o PRB, possam seguir o mesmo caminho, de afastamento da base de sustentação de Dilma.

Levantamento do Palácio do Planalto ainda indica que não há os 342 votos necessários na Câmara para a abertura do processo de impeachment de Dilma. Mas também há o reconhecimento de que a margem de segurança se torna cada vez menor.

O discurso oficial do governo neste domingo deve ser de respeito às manifestações democráticas. Ministros mais próximos da presidente estão em Brasília e devem fazer reuniões para avaliar o cenário ao longo do dia com a própria presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada.

Mas a ordem é evitar declarações que possam parecer provocação, como aconteceu em março de 2015, quando o então ministro da Secretaria Geral da Presidência, Miguel Rossetto, afirmou que quem estava nas ruas eram os eleitores que não tinham votado em Dilma, minimizando a insatisfação popular.

"Não vamos cair no erro de não reconhecer que há insatisfação concreta da população. As pesquisas mostram isso. Vamos reconhecer que são manifestações legítimas", afirmou ao Blog um ministro.