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Bancada evangélica abre uma guerra santa na política do DF

A Câmara Legislativa e o Governo de Brasília podem estar prestes a declarar uma guerra santa no DF. Pelo menos oito deputados distritais da Casa, capitaneados pelo Bispo Renato Andrade (PR), acusam a Secretaria de Cultura de preterir os artistas gospel em eventos públicos desde o início do mandato. A gota d’água foi a programação do Aniversário de Brasília, divulgada na última semana, que não contemplou nenhum segmento religioso.
http://cdn.oas-c17.adnxs.com/RealMedia/ads/Creatives/default/empty.gif/0Bispo Renato fala até mesmo em implicar o secretário de Cultura, Guilherme Reis, em crime de improbidade administrativa, mas apenas em último caso. “Não fui eu que falou isso no plenário, mas é uma possibilidade. A discriminação também é crime tipificado na Lei Orgânica do DF. Por um lado, quando se olha pela lógica cristã, muitas vezes somos taxados de preconceituosos. Mas não podemos aceitar que, por termos cultura própria, sejamos discriminados pelo próprio Estado”, criticou o deputado.
Ele garantiu, no entanto, que após seu discurso e de outros parlamentares no plenário, na última quarta-feira, Reis entrou em contato por telefone. “Achei uma atitude elegante da parte dele”, reconheceu, mas sem aliviar para o lado da secretaria. “Eu reitero meu pronunciamento de que o segmento (gospel) tem sido preterido ao longo desses anos (de governo)”, esbravejou o distrital.
Em regime de contenção de gastos, o Governo de Brasília anunciou investimento de R$ 265,4 mil para contemplar 29 atrações da cidade que devem tocar durante os dias de comemoração. Além deles, a cantora de ritmos nordestinos e de MPB, Elba Ramalho, foi anunciada como atração principal em 21 de abril, na abertura da festa.
No dia seguinte, o grupo de pagode Raça Negra se apresenta no palco montado na Torre de TV. Em 23 de abril, fechamento das comemorações, o violonista Renato Teixeira será o grande nome da noite.
A Secretaria de Cultura foi procurada, mas não foi encontrada para comentar a situação.
A disputa santa entre Câmara e Buriti se acirrou em dezembro de 2016, na votação da Lei Orgânica de Cultura. A Frente Parlamentar Evangélica, formada por nove deputados distritais, obstruiu o andamento do projeto e também criticou a atuação da pasta de Cultura. À época, o titular Guilherme Reis foi acusado de excluir os religiosos de “seus objetivos”.
Um dos argumentos dos evangélicos na Câmara é que, no governo Agnelo, havia um palco dedicado exclusivamente ao gospel em grandes eventos como o Aniversário de Brasília. Em 2014 foi o último ano que isso aconteceu. Desde que assumiu, o católico Rodrigo Rollemberg não facilita a vida dos artistas evangélicos, na avaliação da bancada.
“Quando falamos de cultura gospel, não falamos apenas de música, mas de teatro e de dança. Nenhuma manifestação cultural é tão intensa quanto o Morro da Capelinha, por exemplo, mas existe coisa parecida nos evangélicos que precisa ser observada”, ponderou Bispo Renato.
Ao que parece, essa disputa ainda vai exigir algumas cruzadas à Câmara para ser resolvida. A Secretaria de Cultura, procurada, não definiu posição.

(Eric Zambon)

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