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Ginecologista é preso suspeito de abusar de pacientes em Betim

A Polícia Civil informou que o médico tem clínicas também em Belo Horizonte e mais vítimas podem surgir com o andamento das investigações

O médico Saulo Andrade de Oliveira, 71 anos, foi preso na manhã de ontem, na residência em que mora, no bairro Gutierrez, na região Oeste de Belo Horizonte, suspeito de abusar sexualmente de três mulheres em consultas ginecológicas ocorridas em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. Os dois pedidos de prisão preventiva foram feitos em dezembro de 2016, mas decretados pela justiça somente em março deste ano. Há pelo menos outras quatro denúncias contra o profissional sendo investigadas pela polícia, sendo dois casos de mulheres atendidas na capital e dois de pacientes de Nova Lima, também na região metropolitana. O suspeito nega os abusos e diz que as pacientes “se confundiram”.
De acordo com a delegada Cristiane Floriano, titular da Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher de Betim, dois dos abusos ocorridos na cidade foram de mulheres atendidas em postos de saúde da rede pública, e um de uma mulher que teria sido consultada na Unimed Betim. “Nos casos ocorridos nas unidades públicas, as vítimas contaram que o suspeito acariciou a genitália e os seios delas. Uma dessas pacientes relata, inclusive, que estava grávida na época. Já no abuso ocorrido na Unimed, a vítima disse que foi fazer uma consulta e que, durante o exame de rotina, o médico introduziu o órgão genital na vagina dela. A vítima contou que tentou se levantar, mas que ele fez força para mantê-la na posição e ejaculou dentro dela”, revelou a delegada.
Durante as investigações em Betim, a delegada descobriu que há várias reclamações de pacientes e funcionários das unidades de saúde de Betim contra o médico. “Em um dos postos foi exigido, inclusive, que ele só realizasse as consultas com a presença de uma técnica em enfermagem. Há relatos de que ele realizava exame de toque introduzindo e retirando o dedo do órgão das pacientes várias vezes e chegou até mesmo a perguntar às vítimas se elas 'ficavam excitadas’ durante o exame”, afirmou.
A delegada explicou ainda que, desde 2008, há sete queixas registradas na polícia contra o médico. Entretanto, uma apuração feita pela reportagem, com base em boletins de ocorrência da polícia, revelou que são 11 boletins de ocorrência ao todo – dois em Nova Lima, quatro em Betim e cinco em Belo Horizonte.
O Ministério Público também ofereceu denúncia contra Saulo Oliveira, que foi indiciado por violação sexual mediante fraude onde, segundo o Código Penal, é crime “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima”. Ele foi encaminhado para Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Betim.
De acordo com a Prefeitura de Betim, Saulo de Oliveira está na rede de saúde pública do município desde o dia 10 de dezembro de 2007. O mesmo já passou pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Bueno Franco, Nossa Senhora de Fátima e Alvorada. O município informou que há um Processo Administrativo Disciplinar aberto contra o médico Saulo de Oliveira, em fase de sindicância, desde 2014. A prefeitura confirmou que, devido a essa denúncia, o ginecologista atendia com a presença de uma técnica de enfermagem e declarou que o profissional foi suspenso das atividades e que, caso sejam comprovadas as denúncias, será exonerado do cargo.

(Lisley Alvarenga/O Tempo)

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