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Menina torturada e escravizada pela mãe em SP passa por cirurgia

A garota de 10 anos tinha marcas no corpo por causa das várias sessões de tortura a que foi submetida

A menina M.J., de 10 anos, passou por cirurgia na manhã desta terça-feira (2/5) para retirar queloides que se formaram no seu corpo. O procedimento foi considerado bem sucedido pelos médicos e ela já teve alta do hospital. A garota ficou com as marcas por causa das várias sessões de tortura a que foi submetida, na qual a mãe e o padrasto apertavam um alicate em várias partes do seu corpo, inclusive na vagina, como forma de castigo. Os dois foram condenados pela Justiça.
O caso foi descoberto em agosto do ano passado, quando a menina conseguiu fugir de casa e foi acolhida por duas mulheres que passavam na rua, na região do Butantã, na zona oeste. Elas levaram M.J., ferida gravemente em todo o corpo, a um hospital. De lá, a menina seguiu direto para um abrigo, onde está até hoje junto com dois irmãos mais novos. Desde então, foi “adotada” pela organização não governamental (ONG) Ciranda para o Amanhã, que assiste 10 abrigos e atende 350 crianças.
 “A cirurgia foi um sucesso. Começou às 6h e durou cerca de uma hora”, contou Isabella Brito, uma das fundadoras da ONG. Segundo ela, a menina ainda vai passar por 10 sessões de betaterapia, que consiste na utilização de ondas magnéticas para evitar que as queloides se formem novamente.
Esta foi a terceira e última cirurgia para retirar as marcas. Graças à solidariedade de profissionais que se sensibilizaram com o drama da menina, M.J. recebe tratamento dentário, médico e psicológico. Nos finais de semana, é “disputada” pelas tias da ONG, que a levam para passeios em parques, sessões de cinema e até “dia de princesa” em salões de beleza. Os irmãos também acompanham.
A mãe da menina, Vanessa de Jesus Nascimento, foi condenada a 48 anos de prisão, e o padrasto Adriano dos Santos, 33 anos, por crimes de redução à trabalho análoga à escravidão, lesão corporal gravíssima e tortura. Em depoimento, a menina contou que “apanhava todo dia”, porque a mãe e o padrasto achavam que ela não limpava a casa direito.
Ela narrou que era obrigada a dormir em pé quando “a louça não ficava limpa”. A mãe, disse a menina, amarrava os seus braços e suas pernas de modo que ela não conseguia se mexer. Outra vezes, dormia no chão e até fora de casa, aonde chegou a presenciar ratos passando ao redor. Por várias vezes, ficou sem refeição.
A menina contou que num certo dia não conseguiu colocar a capa no sofá e foi segurada pelo padrasto enquanto a mãe lhe arrancava três unhas da mão com um alicate de jardineiro. Na sequência, Vanessa furou a sola do pé da filha com a ferramenta. E a tortura continuou.
Segundo depoimento, a mãe a amarrou com um fio e apertou com o alicate sua barriga várias vezes, causando ferimentos. Por último, os dois — segundo o MPE — se revezaram apertando o alicate na vagina de M.J. Em outra ocasião, a mãe cortou a língua da menina com a ferramenta e obrigou que ela limpasse o sangue que jorrou na parede.
Na sentença que condenou o casal, a juíza Tatiane Moreira Lima, da Vara de Violência Doméstica do Butantã, afirmou que “casos como o presente mostram a verdadeira desumanização de dois seres, que se despem dos papéis de guardiões para encarnar os papéis de déspotas e tiranos, senhores da vida e da morte, da dor e do pavor de uma pobre criança indefesa. Diante do exposto, a condenação se mostra medida inafastável”.
Os advogados do casal informaram que irão recorrer da sentença.

(Metrópoles)

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