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Deputado federal Tiririca é acusado de assédio sexual por ex-empregada

foto reprodução


Uma ex-funcionária do deputado federal Tiririca (PR-SP) acusa o parlamentar de assédio sexual. A denúncia foi feita pela empregada doméstica em um processo trabalhista e reafirmada por ela à Polícia Civil do DF depois que a esposa de Tiririca registrou uma ocorrência de extorsão contra a mulher. Por se tratar de fato envolvendo parlamentar, com prerrogativa de foro, o caso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A petição, foi distribuída na última quarta-feira (28/6) ao ministro Celso de Mello, que ficará encarregado de dar andamento ao processo.


De acordo com Maria Lúcia Gonçalves Freitas de Lima, Tiririca — nome artístico de Francisco Everardo Oliveira Silva — teria praticado o assédio em pelo menos duas ocasiões, em São Paulo e em Fortaleza, no ano passado. Em depoimento aos policiais da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), no dia 20 de junho deste ano, Maria Lúcia narrou os episódios.
Segundo o relato, a primeira investida ocorreu durante uma viagem com o casal e a filha deles para São Paulo em 24 de maio do ano passado, onde o deputado participaria de uma entrevista no Programa do Jô. Eles teriam ficado no apartamento do parlamentar. No dia seguinte, ao voltar da gravação do programa, Tiririca, “exalando odor etílico”, segundo Maria Lúcia, teria começado o assédio.
Francisco segurou a declarante pelo braço, jogou-a no sofá da sala e, segurando-a por trás e pela cintura, disse: ‘Vou comer seu cu, vou comer sua buceta.’"
Trecho da petição enviada ao STF

Maria Lúcia acusa o parlamentar de, em seguida, desabotoar a calça e ir atrás dela “com o pênis ereto”. Ainda em depoimento, a empregada afirma que a filha, a mulher e dois assessores de Tiririca presenciaram a cena e “riam do ocorrido”. “Por fim, pediu ajuda para a filha do casal e ela empurrou o pai, que veio ao chão”, relatou Maria Lúcia.
A ex-empregada afirmou que, na mesma semana, foi com a família para Fortaleza, onde ficou durante oito dias cuidando da filha do casal. No Ceará, eles teriam ficado hospedados em um sítio do deputado. À Polícia Civil do DF, Maria Lúcia disse que “a família fez festas todos os dias; que sempre que a declarante passava perto de Francisco ele dizia: ‘vou te comer’, passava a mão no cabelo da declarante e nas nádegas. Várias vezes Francisco dizia: ‘você vai gostar, meu pau tem a cabeça muito grande, se experimentar, vai gostar”.

Segundo Maria Lúcia, provas contra o deputado foram destruídas pelo próprio parlamentar durante um passeio na praia, quando Tiririca teria pedido o celular dela emprestado. “Ao subir em uma lancha, [o deputado] caiu no mar com o celular. A depoente acredita que ele tenha feito isso de propósito, pois no celular havia um vídeo em que Francisco falava algumas besteiras para a declarante”, conforme consta em trecho do depoimento de Maria Lúcia.
Ainda em Fortaleza, a funcionária disse que foi procurada pela esposa de Tiririca, que teria dito que o deputado federal fazia aquilo “porque gostava dela”. Maria Lúcia, então, teria respondido que não era “puta nem piranha”. Assim que a família voltou para Brasília, a empregada foi demitida. Segundo ela, a mulher do deputado a acusou de extorsão após saber da citação trabalhista feita contra o parlamentar em março deste ano.
A ocorrência sobre a suposta extorsão foi registrada na 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), em 3 de maio deste ano, pela esposa de Tiririca, Naná da Silva Magalhães. Segundo a mulher do parlamentar, a tentativa de extorsão teria ocorrido em junho de 2016 na casa onde o deputado mora, na Asa Norte, um mês depois da data em que Maria Lúcia diz ter sido assediada.
Aos policiais civis, Naná disse que a ex-funcionária trabalhou para a família durante quatro meses, entre março e junho de 2016, e que foi demitida por “fazer uso de bebida alcoólica durante a jornada de trabalho”. À época, ela recebia R$ 1,2 mil de salário.
Ainda segundo a ocorrência registrada por Naná, Maria Lúcia teria pedido R$ 100 mil quando foi dispensada pela família, “caso contrário prejudicaria o casal”. De acordo com a mulher do deputado, todas as verbas trabalhistas foram devidamente quitadas quando a doméstica parou de trabalhar na residência do casal.
Após sair do emprego, Maria Lúcia foi à Justiça do Trabalho contra Tiririca e sua mulher, acusando o parlamentar de ter praticado assédio sexual. Maria Lúcia pediu indenização por danos morais no valor de 100 vezes o seu salário enquanto doméstica — um total de R$ 120 mil. A ação tramita na 21ª Vara do Trabalho de Brasília, sob segredo de Justiça. Já a ocorrência registrada na 10ª DP com os dois depoimentos foi enviada ao STF.
Procurada pela reportagem, Maria Lúcia confirmou a existência do processo, mas não quis se manifestar a respeito das acusações ao parlamentar. Os advogados dela não atenderam às ligações, mas, na petição enviada à Justiça trabalhista, José Orlando de Amorim afirma que a conduta de Tiririca “feriu de morte a liberdade sexual, a livre disposição sobre o próprio corpo e, sobretudo, a dignidade da ex-empregada doméstica da família, desenvolvendo nela [Maria Lúcia] sequelas de natureza psicológicas gravíssimas e, quiçá, incuráveis”.
Em contestação apresentada no processo, a defesa do deputado federal e de sua mulher, patrocinada por Fernando Albuquerque, nega todas as acusações. O advogado diz que Maria Lúcia tenta utilizar o estereótipo do “personagem Tiririca” para atribuir ao parlamentar os mesmos comportamentos na vida pessoal e privada.
Segundo Albuquerque, nos palcos Tiririca interpreta um palhaço com vocabulário por vezes chulo, mas isso não significa que ele traga para sua vida pessoal o comportamento do personagem. “Ao contrário, é uma pessoa centrada, pai dedicado, homem conhecedor da sua importância política e que representa o país, talvez, melhor que muitos médicos, advogados e promotores de Justiça eleitos”, ponderou.
O advogado do deputado informou que se trata de um processo que está em sigilo e, por isso, não pode comentar. A reportagem tentou falar com a assessoria de imprensa de Tiririca, mas as ligações não foram atendidas.


(conteúdo Metrópoles/redação JAL)











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