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Falsa médica chegava a prometer a cura do câncer

Ela se apresentava como radioterapeuta, biomédica, esteticista, ginecologista, entre outras especialidades, e foi denunciada por vítimas à 19ª Delegacia de Polícia, que deflagrou a Operação Placebo 2, com mandado de busca e apreensão.
Vestindo um jaleco e prometendo “curas milagrosas”, uma falsa médica, Renata Teresa dos Santos, 35 anos, tinha acesso ao Hospital de Base e ao Hospital Regional de Taguatinga. A farsante, porém, assinou um termo de compromisso e foi liberada nesta quinta-feira (24). Assim, poderá responder em liberdade por exercício ilegal de medicina. Caso seja condenada, ela pode pegar de dez a 15 anos de prisão por falsificação ou venda ilegal de medicação de uso restrito ou controlado.
Com a busca feita na residência de Renata em Taguatinga, foram encontrados remédios, receitas de medicação, documentos da rede pública, atestado médico e até um cilindro de oxigênio.
A falsa médica atendia em casa ou na residência dos pacientes. Ela já tinha passagem desde 2011 pelo mesmo crime e foi denunciada por vítimas do Setor P Norte, Ceilândia. Segundo o delegado Fernando Fernandes, ela estava oferecendo tratamento de câncer para uma senhora e fertilização para um casal com dificuldade de ter filhos.
O casal chegou a ter um prejuízo de mais de R$ 10 mil. Ao perceber que o tratamento não estava tendo evolução, eles procuraram a delegacia. Ali, descobriram que ela tinha antecedentes criminais.
A segunda fase da operação vai investigar se ela teria contatos de servidores ou terceirizados na rede pública. Se for constatado que existem vítimas que sofreram qualquer tipo de lesão corporal, ou até mesmo tenham vindo a óbito, ela pode responder por lesão corporal grave, gravíssima ou homicídio.
“Pela prescrição de medicação ‘tarja preta’, ela poderá responder por falsificação e venda ilegal de medicação de uso restrito ou controlado, o crime é mais pesado do que tráfico de drogas”, destaca o delegado-chefe da 19ª DP, Fernando Fernandes. Ele pondera que quem usa drogas está ciente do mal que a substância causa, ao contrário de quem toma remédio falsificado ou ilegal, que pode morrer sem saber o que está ingerindo.
Segundo uma das vítimas, no meio dos medicamentos encontrados havia um analgésico opioide genérico. Se confirmado que não havia autorização para uso, ela responderá pelo artigo 273 do Código Penal – sobre falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.
Mais de 200 pessoas foram vítimas de Renata, incluindo uma policial militar. Uma delas, um homem de 21 anos, que não quer se identificar por sofrer ameaças, conta que conheceu a farsante em um hospital particular em Taguatinga Sul. “O pai dela teria passado por traqueostomia e eu também sou paciente recém- traqueostomizado. Então, ela se dispôs a fazer meu tratamento para tirar as marcas”, conta.
Foram três idas ao “escritório” dela para retirar as manchas das úlceras deixadas no pescoço e pernas da vítima. O ácido e o laser provocaram efeitos colaterais, como mais manchas e reações alérgicas.
A mãe da vítima iniciou amizade “intensa” com Renata. De acordo com o paciente, a intimidade foi tamanha que havia a intenção de abrir uma clínica de estética juntos. “Ela me disse que era biomédica, que tinha mestrado e estava concluindo doutorado”, conta.
Ao iniciar processo de abertura da empresa, ele comentou com o coordenador da faculdade em que Renata dizia estudar. “Então ele me contou tudo, inclusive que ela tinha sido presa”, detalha.
Acreditando ser injusta a liberação da farsante, a vítima se sente desprotegida. “Ela está espalhando coisas sobre mim, que tenho doenças que não existem”, desabafa. Além disso, ele afirma que muitas pessoas tiveram prejuízo. “Minha mãe chegou a gastar mais de R$ 2 mil por mês em morfina”, conta. Para a vítima, esse termo de compromisso não vai impedi-la de atuar.



(J.Br/foto: Kléber Lima/redação JAL)

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