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Pai de meninos resgatados em assentamento nega maus-tratos às crianças

Foto reprodução
A Polícia Civil de Formosa (GO) está empenhada em investigar a denúncia de agressões físicas e psicológicas aos cinco garotos que moram no Assentamento Morrinhos, que fica entre Flores e Formosa, em Goiás. Denunciado, o pai dos mais novos e padrasto dos irmãos mais velhos, F.F.S., prestou depoimento. A mãe e vizinhos também foram ouvidos. Na semana passada, um casal de Santa Maria resgatou os meninos.
Segundo o delegado Jandson Bernardo da Silva, o pai não entrou em contradições durante a oitiva. “Foi tudo tranquilo, ele respondeu às questões de forma espontânea. Não tinha advogado. O pai estava calmo e foi categórico, disse que nada disso aconteceu. Ele atribui esse ocorrido a uma briga política dos moradores”, detalha. “Ele comentou que sempre cuidou bem das crianças”, acrescenta.
A briga que Silva se refere é uma cobrança que o presidente de uma das duas associações da região estaria fazendo a F.. “Depois que eu disse que não pagaria, ele e outras pessoas que são a favor dele começaram a assediar os meninos. Ele está me cobrando R$ 2 mil por morar lá”, conta o homem, que mora no local há oito meses.
“Eu nunca maltratei meus filhos. E quando tudo isso passar, não vou ter raiva. Eu os considero demais e isso não vai abalar nossa relação. Estou com saudade deles”, aponta.
Para um dos moradores, Joacir Pires de Abreu, 42, F. nunca apresentou comportamento diferente. “Eu não tenho muito contato, o lote dele fica a uns dois quilômetros do meu, mas sempre que eu via os meninos, ele estava por perto”, afirma o homem. Para ele, as crianças viviam a realidade de quem mora na área rural.
Os cinco irmãos seguem em abrigos sociais. Os mais velhos, de 9, 12 e 13 anos, estão em Santa Maria, e os outros dois, de 4 e 6, em Formosa (GO).
O Conselho Tutelar de Sabará enviará equipe para verificar se o local está em condições de abrigar os garotos. Um morador do assentamento aponta a precariedade da região: “Não tem água, não tem energia, não tem transporte nem nada”.
Os irmãos mais velhos, de 9, 12 e 13 anos, ainda estão em Brasília e, segundo o delegado, o Conselho Tutelar da capital teria cometido um erro. “Eu não tenho conhecimento de que os meninos foram levados para fazer exame de corpo delito para constatar as agressões. Se está falando de tortura, maus- tratos e um fato dessa dimensão, a primeira coisa a ser feita era o exame”, alega Silva. Ele afirmou que as duas crianças que estão em Formosa passaram pelo exame e os resultados não apresentaram alteração.
Para o delegado, ainda não é possível concluir nada sobre o caso. “Está tudo muito por alto. Amanhã (hoje) vamos a Brasília ver o que foi feito no dia que os meninos foram resgatados e vamos colher depoimento do casal os pegou”, conclui.
A mãe dos meninos contou que já tinha pensado em levá-los para morar com a mãe dela em Minas Gerais. Por enquanto, o único desejo é poder vê-los. “Eu quero poder conversar com eles, porque se aconteceu algo que eu não vi eles vão me contar”, completa A..
Familiares da mãe pediram a guarda provisória dos cinco irmãos. A família mora em Sabará (MG) e o Conselho Tutelar de lá entrou em contato com o Conselho de Formosa ontem. “Mas ainda temos que consultar os juízes”, conta o conselheiro tutelar Camilton Santos, de Formosa.


(J.Br/redação/JAL)


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