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Investigação as “viúvas negras” pela PCDF que exploram idosos até a morte


Articuladas, ambiciosas e letais, mulheres que se casam com idosos e os exploram até a morte são investigadas pela Polícia Civil em inquéritos que se multiplicam nas delegacias do Distrito Federal. A ação das chamadas “viúvas negras” impressiona pela frieza e dissimulação no momento de escolher as vítimas: homens acima dos 80 anos, solitários, moradores de áreas nobres e com muito dinheiro na conta bancária. Os casos estão sob investigação da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, ou por Orientação Sexual, ou contra Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin).


Seduzir, casar e enriquecer. Esse é o modus operandi das mulheres que se tornaram alvo das investigações. Os nomes não podem ser divulgados para não atrapalhar a apuração. Apesar de não se conhecerem, ambas tinham em comum a profissão: se diziam cuidadoras de idosos. As situações lançam um alerta importante aos familiares, que precisam ter atenção redobrada na hora de contratar profissionais.
Um dos casos investigados pela Decrin conta a história de Gerson*, 86 anos, que morreu em 18 de novembro de 2015, quando estava sob os cuidados de uma das suspeitas. Procurador federal do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nas décadas de 1970 e 1980, foi diagnosticado, em setembro de 2011, aos 82 anos, com mal de Alzheimer e Parkinson.
Os filhos decidiram, então, colocá-lo em uma clínica de repouso para que ele tivesse os cuidados necessários. Lá, ele conheceu Ana*, que se tornou sua principal cuidadora. Prestativa, responsável e profissional, a mulher, então com 41 anos, encantou os familiares do idoso. Com o passar do tempo, ela resolveu montar uma casa adaptada, onde poderia cuidar de Gerson e convenceu os filhos a tirá-lo da clínica.
Ela cobraria dos parentes uma mensalidade de R$ 5 mil – fora os gastos com despesas pessoais, como medicamento e alimentação – para cuidar do idoso. Ana costumava acompanhá-lo inclusive em consultas externas, realizadas em hospitais particulares. Três anos se passaram até que, em novembro de 2015, Gerson foi internado às pressas por, supostamente, ter ingerido o próprio vômito. No terceiro dia de internação, não resistiu e morreu vítima de uma infecção generalizada.
Prestativa, Ana se colocou à disposição da família para cuidar de todos os preparativos para o funeral. Conforme os dias passavam, a cuidadora relutava em entregar para a família a certidão de óbito do ex-procurador. Desconfiado, um dos filhos do idoso foi até um cartório e descobriu que a cuidadora tinha se casado com o pai em segredo. De acordo com o documento obtido pelo filho, Ana e Gerson viviam maritalmente conforme a escritura pública declaratória de união estável.
A viúva negra tinha ido além do casamento escondido dos filhos. Deu entrada em um pedido de pensão no Incra como esposa do servidor falecido. A cuidadora foi indiciada por uma série de crimes, entre eles estelionato, falsificação de documentos e furto mediante fraude. No entanto, a perícia não conseguiu atestar com precisão se a morte do idoso teria sido provocada por alguma causa externa, como envenenamento ou algo parecido.
Ela forjou uma série de documentos para tentar subtrair todo o dinheiro da aposentadoria dele. Meu pai tinha Alzheimer e Parkinson e não tinha o mínimo discernimento, que dirá se casar com alguém". Disse o filho de uma das vítimas.
De acordo com a delegada adjunta da Decrin, Elisabete de Morais, uma série de outras situações estão sendo investigadas, sempre tendo idosos como vítimas. “Esse tipo de crime, envolvendo pessoas de idade avançada, se tornou um dos carros-chefes da delegacia. Fazemos um alerta para os familiares não deixarem os idosos abandonados. Eles se tornam presas fáceis para pessoas mal-intencionadas”, ressaltou.
Outro caso apurado pela unidade policial envolve um general reformado do Exército, que também foi vítima de uma mulher que se apresentava como governanta e cuidadora. O oficial acabou morrendo em julho do ano passado, aos 80 anos. A Decrin começou a apurar a história em março deste ano. A suspeita teria se aproveitado da solidão do militar para furtar uma quantia superior a R$ 100 mil.
Luiz* vivia no Sudoeste após a mulher falecer. Como os filhos não moravam no DF, deixaram o pai aos cuidados de Margareth*, que já trabalhava para o casal e era tratada como alguém da família. A confiança era tanta que ela ficou responsável também pelo talão de cheques e cartões de crédito do general. Com o passar dos meses, uma fortuna foi torrada pela mulher, que cada vez mais deixava o idoso passar necessidade.
Segundo as apurações, uma das filhas resolveu conferir a conta bancária e os talões do pai e notou o gasto excessivo. Descoberta, a mulher pediu demissão. A investigação apontou que ela seduziu e enredou o idoso. Conseguiu comprar carro, equipamentos eletrônicos e transferir para a conta de seu verdadeiro companheiro grandes quantias em dinheiro. A suspeita foi indiciada por crimes como estelionato e furto mediante fraude.
De acordo com a Decrin, todos os dias pelo menos uma ocorrência de maus-tratos envolvendo idosos é registrada na unidade policial. Segundo o especialista em direito Paulo Rocha, o cuidador é a pessoa que mais passa tempo com o idoso e precisa estar preparado. “Por isso, é muito importante que o profissional contratado seja não só bem formado, mas também atencioso e paciente. Infelizmente, há uma infinidade de reclamações de familiares com relação a cuidadores que foram violentos com as pessoas que mereciam seus cuidados, algo que revela a importância da escolha”, ressaltou.
O especialista explicou que, antes de escolher o profissional que trabalhará na casa, é essencial conversar ou fazer uma pequena entrevista. “É preciso pedir ao cuidador suas referências e entrar em contato com antigos contratadores para verificar a boa reputação do candidato ao emprego. A formação do profissional é outro ponto importante, pois ele terá uma série de responsabilidades que vão interferir diretamente na qualidade de vida do idoso”, explicou.
Rocha ainda contou um caso chocante: uma cuidadora trocou os medicamentos de um casal de idosos: ela com Alzheimer e ele com Parkinson. “A troca fez com que o senhor ficasse internado no CTI por vários dias, quase o levando à morte. Esse tipo de problema, como você deve imaginar, não pode de modo algum ser recorrente”, alerta.
Para contratar um cuidador, é necessário que o familiar defina alguns pré-requisitos básicos que o cuidador deve preencher:
o    Entrevista de seleção (faça no mínimo 3 entrevistas)
o    O cuidador deve ter experiência comprovada
o    Pergunte como era o trabalho, quais as atividades que fazia, o tempo que ficou empregado e o motivo de ter saído
o    Procure saber se o cuidador tem conhecimento e experiência no cuidado de idosos com demência, doença de Alzheimer, Parkinson ou outras doenças neurológicas e neurodegenerativas
o    Solicite telefones e endereços de empregos anteriores como referência
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o    Busque referências pessoais com pessoas idôneas
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o    Consulte todas as referências pessoais e de trabalho
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o    É fundamental a coordenação do familiar, supervisionando e orientando as atividades do cuidador
o     
o    Uma vez contratado, observe por algum tempo para constatar a experiência e habilidade do cuidador na função, comportamentos e atitudes com o dependente (atitudes, valores e ética)
Fonte: www.abapaz.org.br
Em casos de denúncia de crimes contra idosos, ligue:
Disque Idoso 156 – opção 8
Conselho dos Direitos da Pessoa Idosa(CDI) – Estação da Cidadania (Estação do metrô da 112 Sul)
Disque 100 da Ouvidoria da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
Disque 197 da Polícia Civil do DF
Central Judicial do Idoso – presencialmente, de 2ª a 6ª, das 12h às 18h, no TJDFT, Blobo B
(*) Nomes fictícios


(Metrópoles/Foto ilustrativa/redação JAL)


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