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PCDF indicia motoristas por homicídio doloso na tragédia ocorrida na L4 Sul


A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concluiu as investigações do acidente de trânsito que matou Ricardo Clemente Cayres, 46 anos, e sua mãe, Cleuza Maria Cayres, 69, na L4 Sul, no dia 30 de abril. Os motoristas dos veículos que causaram as mortes foram indiciados pelo crime de homicídio doloso (que tem intenção de matar). O inquérito policial foi concluído nesta terça-feira (19/9) e remetido ao Poder Judiciário.

Os detalhes do indiciamento do advogado Eraldo Pereira e do sargento do Corpo de Bombeiros Noé Albuquerque Oliveira serão apresentados pelo delegado-chefe da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), Gerson de Sales, na tarde desta quarta.
O Jetta que provocou a tragédia na L4 Sul estava a 110 km/h no momento da colisão, de acordo com  laudo do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil. O carro dirigido por Eraldo Pereira atingiu o veículo em que estava a família. O outro veiculo envolvido no acidente era uma Range Rover Evoque, conduzida por Noé Albuquerque Oliveira.
A informação do laudo contradiz o depoimento de Eraldo. À polícia, o motorista do Jetta negou ter ingerido bebida alcoólica, estar em alta velocidade e, principalmente, disputar um racha com qualquer outro veículo envolvido na tragédia. Relatou que perdeu o controle ao mudar de faixa na L4 Sul. Disse não ter percebido quando o veículo do lado freou, e acabou “dando um toque” na traseira do carro, o Fiesta.
O laudo também apontou a velocidade em que o carro da família estava — 60km/h –, abaixo dos 80km/h, velocidade permitida na via. A suspeita é de que dois carros participavam de um racha e provocaram a colisão.
“Para mim, tão grave quanto a batida em si foi o comportamento dos envolvidos depois, inventando história, mentindo”, disse Fabrícia Gouveia, viúva de Ricardo, ao saber do conteúdo do laudo. Ela lembrou que Eraldo não estava fazendo o racha sozinho: “Os outros motoristas também têm responsabilidades. A sociedade não pode acreditar que não vai dar nada.”
O acidente ocorreu por volta das 19h30 do dia 30 de abril. Testemunhas afirmam que o Evoque de Noé e o Jetta de Eraldo estavam emparelhados, em alta velocidade, na via.
Em depoimento à polícia, Eraldo disse que teria perdido o controle do Jetta e atingido o Fiesta, onde estavam quatro pessoas da mesma família. A força foi tanta que o carro das vítimas capotou. A traseira do veículo ficou completamente destruída. Era ali, no banco de trás, devidamente presos ao cinto de segurança, que estavam Ricardo e sua mãe, Cleuza. Para eles, não houve tempo de socorro, morreram após o impacto.
Eraldo e Noé saíam de uma festa às margens do Lago Paranoá quando se envolveram no acidente. Assumiram ter bebido “uma latinha de cerveja”. Eles, porém, se recusaram a fazer o teste do bafômetro.



(Metrópoles/Fotos: Ricardo Botelho – arquivo pessoal e CBMDF/redação JAL)


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