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Quadrilha cobrava até R$ 4 mil por carteira de motorista

Obter uma carteira de motorista sem exames ou provas custava até R$ 4 mil nas mãos de criminosos. A Polícia Civil descobriu e desarticulou um grupo interestadual especializado na fraude e investiga mais de 600 documentos transferidos do Departamento de Trânsito (Detran) do Pará para o Distrito Federal nos últimos seis anos. Compradores também podem ser presos.
De acordo com o delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor e Fraudes (Corf), o esquema era centralizado no Pará, onde o ex-dono de uma autoescola recebia a documentação de outras unidades da Federação. Ali, ele conseguia expedir a carteira pelo Detran do estado.
A investigação começou no ano passado após suspeita do Detran- DF. “O número alto de transferências de documentos do Pará para cá acendeu o alerta. Fizemos auditorias e encaminhamos à Polícia Civil, que identificou essa organização. Já temos trabalhado para coibir fraudes. Alguns dos envolvidos tentaram renovar o documento e foram bloqueados”, afirma o diretor-geral da autarquia, Silvain Fonseca.
Entre 2011 e 2017, foram identificadas 600 situações suspeitas, que estão sob investigação. “Não quer dizer que todas eram falsas, mas serão apuradas”, ressaltou o delegado Wisllei Salomão. As carteiras, em si, não são falsas: têm assinaturas, dados e fotos legais. No entanto, os meios para obtê-las foram ilícitos. Se confirmadas irregularidades em carteiras de motorista ativas, as permissões serão canceladas. Existe ainda a suspeita de que essa pode ser uma célula de uma organização criminosa maior e mais influente.
Clientes que não conseguiam obter a CNH pelos meios legais eram cooptados pessoalmente por integrantes da organização. Os interessados eram encaminhados a um vendedor, que, ao receber entre R$ 400 e R$ 4 mil, entrava em contato com uma clínica do DF que iniciava o processo e o repassava a autoescolas mineiras e goianas, como se o candidato tivesse feito os exames oftalmológico e psicotécnico. O valor dependia da quantidade de processos necessários.
A documentação ilícita era submetida ao Pará, onde o ex-dono de autoescola conseguia a permissão provisória junto ao Detran do estado. Depois de um tempo, os titulares das carteiras pediam a transferência da documentação para Brasília. “Eles escolhiam aqui porque o Detran-DF é um órgão sério e dava total veracidade às carteiras. Com a transferência, as assinaturas falsas e o histórico eram refeitos e os vínculos sumiriam”, diz o delegado.
Dez pessoas foram presas, denunciadas pelo Ministério Público e indiciadas por corrupção passiva, falsificação de documento público e organização criminosa. Dois são funcionários de uma clínica médica em Taguatinga, que produzia os exames falsos. Também foram presos um em Minas Gerais, um no Pará e seis em Goiás, incluindo um funcionário público do Detran-GO.
Não há suspeita da participação de funcionários da autarquia do DF no esquema. Os clientes responderão por falsificação de documentos e, se forem pegos em blitz, podem ser presos pelo uso da CNH falsa.



(J.Br/Foto PCDF/redação JAL)

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