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Tiroteio em Goiânia deixa duas crianças mortas e quatro feridas


Seis alunos foram baleados durante um tiroteio no fim da manhã desta sexta-feira (20) dentro do Colégio Goyases, que fica na Rua Planalto no Conjunto Riviera, em Goiânia. Dois adolescentes morreram no local e outros quatro ficaram feridos e foram socorridos.  
Segundo o Corpo de Bombeiros, três meninas e um menino estão entre os feridos. João Vitor Gomes e João Pedro Calembo, que tem entre 12 e 13 anos, não resistiram aos ferimentos e morreram dentro da sala de aula.
Viaturas do Corpo de Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados para atender a ocorrência. Helicóptero do Grupamento Aéreo (Graer) da Polícia Militar levou um dos alunos para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), para onde mais dois adolescentes foram encaminhados. A outra menina ferida foi levada para o Hospital dos Acidentados e não corre risco de morrer.
O garoto que atirou contra os colegas tem 14 anos, está no oitavo ano e estaria com a arma na mochila.  Os disparos teriam acontecido no final da quinta aula pela manhã, por volta das 12 horas. Um dos estudantes que estava no local disse acreditar que o primeiro disparo  foi acidental e ele até imaginou que fosse uma “bombinha”. Depois, quando a turma se voltou para ver de onde vinha o barulho, o garoto começou a atirar aleatoriamente contra os alunos.
A arma usada pelo adolescente de 14 anos nos disparos na escola é de uma pistola .40 de um dos pais do garoto, que são policiais militares. De acordo com informações do assessor da PM, tenente coronel Marcelo Granja, os PMs serão ouvidos para saber como o garoto teve acesso a arma.
O pai do garoto esteve na escola e foi conduzido pela Polícia Militar. O adolescente foi levado para a Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai) após passar por exame de corpo de delito.
Ainda segundo o tenente, os dois adolescentes que faleceram, João Vitor Gomes e João Pedro Calembo, não chegaram a ser socorridos. Os corpos dos jovens ainda estão na sala de aula onde aconteceu o tiroteio e o Instituto Médico Legal (IML) já está no local.
A escola foi isolada pela PM para que o IML e a Polícia Civil possam realizar os procedimentos necessários para o caso.
Colegas de classe afirmaram que o adolescente sofria bullying na escola. Uma das estudantes contou que o garoto sofria bullying pela suposta falta de higiene. “Nós falávamos para ele tomar banho, passar desodorante. Ontem o menino que sentava atrás dele até disse que ia trazer um desodorante e pelo que eu vi, ele foi o primeiro a ser baleado”, disse a aluna de 13 anos que estava na sala durante os disparos.
O aluno que levou o desodorante foi João Pedro Calembo, que assim como João Vitor Gomes, foram vítimas fatais dos disparos. Ambos tinham 13 anos.
Ainda segundo a estudante, o autor dos disparos era um rapaz quieto que tinha poucos amigos. “Ele era estranho e parecia não gostar de ninguém da escola. Uma vez ele trouxe um livro satânico para a aula de literatura”, disse. Esta aluna contou que saiu correndo da sala com uma amiga e foi buscar ajuda.
De acordo com a psicóloga Luiza Colman, não se deve justificar os disparos apenas pelo bullying, pois é um problema muito maior. “Um estudante de 14 anos que leva uma arma escondida para o colégio é alguém que não soube lidar com as dificuldades da vida e que precisa de ajuda”, explicou.
Luiza afirmou que nesses casos é preciso um acompanhamento psicológico para que o aluno saiba lidar com os problemas e aprender a enfrentá-los. A psicóloga salienta que deve ser feito um investimento em saúde mental, tanto em Goiânia quanto no Brasil, pois essa é uma questão de saúde pública que necessita de atenção.
O delegado informou que o garoto descarregou um cartucho da pistola .40 e quando foi repetir a ação, foi dissuadido pela coordenadora do colégio a não disparar mais. Ainda segundo Luiz, o adolescente pensou em cometer suicídio e, mais uma vez, foi convencido do contrário.
O assessor da Polícia Militar, tenente coronel Marcelo Granja, afirmou que, sem a ação da coordenadora, o estudante poderia ter feito mais disparos e a tragédia seria ainda maior. O jovem teria atirado primeiro no garoto que praticava bullying e depois em outros colegas.
De acordo com o delegado, o garoto já passou por tratamento psicológico e não há histórico de queixas sobre bullying com o garoto na escola.
A deputada federal Magda Mofatto (PR-GO), que recentemente divulgou um vídeo defendendo a liberação do comércio de armas no Brasil, acabou se tornando alvo de críticas nas redes sociais após o tiroteio que acabou com a morte dos dois adolescentes em Goiânia. “@Magdamofatto e agora? Ainda vai continuar com a sua campanha maluca?”, questiona uma seguidora no Twitter.
No facebook, internautas acusam a deputada de ser bancada pela indústria de armas e criticam que a campanha pelo desarmamento tenha objetivo eleitoreiro. “A deputada quer votos nem que seja a custo de balas.”
Outros questionam  as consequências da liberação do uso de armas no Brasil. “Tá feliz, deputada? Imagina se todos tivessem acesso a armas igual a ideia que a senhora defende? O que teria acontecido hein?”
Ao Mais Goiás, Magda fez uma série de comparações para provar seu argumento de que “quem mata não é a arma”. “Será que vai ter grupos proibindo o comércio e circulação de veículos porque existem menores que pegam carros e atropelam e matam? Vão proibir o comércio de facas porque um menino matou uma menina na porta do elevador, como aconteceu em Goiânia?”, argumenta.
A deputada ainda destacou que continua defendendo a liberação do comércio de armas e que, apesar da crítica de alguns, ela tem recebido “dez vezes mais” apoio pela iniciativa.

O estudante vai continuar na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai).
As informações são do delegado Luiz Gonzaga Júnior, titular da Depai. Ele explicou que o garoto pode ficar no local por, no máximo, cinco dias. Em seguida, o estudante deve ser transferido para um centro de internação. “O adolescente será autuado e posteriormente será apresentado ao Ministério Público para deliberações a respeito de sua internação provisória”, explicou o titular.
De acordo com o delegado, em um caso como esse o estudante dificilmente será liberado. Luiz Gonzaga Júnior esteve no Colégio Goyases, onde ocorreu o tiroteio e escutou todas as pessoas que estavam no local, entre elas o garoto autor dos disparos e seu pai, bem como professores e funcionários da escola. “Ao que tudo indica ele já estava planejando o crime, mas essas são informações preliminares”, disse.
As investigações serão feitas e o processo será formalizado. O delegado vai passar as informações em uma coletiva de imprensa no Auditório do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). A equipe médica responsável pelos feridos também estará presente para repassar as informações sobre o estado de saúde das crianças.





(Mais Goiás/Fotos: Mais Goiás/redação JAL)

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