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Emprego com carteira assinada volta a crescer, após três anos em queda,

Apesar disso, economistas avaliam que o nível de desocupação ainda é alto, o que prejudica o crescimento econômico


O Brasil parece ter voltado, finalmente, a gerar empregos com carteira assinada. O ano de 2017 não foi bom para as pessoas que buscaram conseguir um emprego formal, mas a expectativa de analistas é a de que, no último trimestre do ano passado, tenha ocorrido uma “virada” nesse quadro. De acordo com  a economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, as contratações com carteira assinada devem somar um milhão em 2018, depois de três anos de queda. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é ainda mais otimista: espera a geração de 2,5 milhões de empregos. Apesar disso, economistas avaliam que o nível de desocupação ainda é alto, o que prejudica o crescimento econômico.

A queda dos índices de desemprego verificada nos últimos meses vinha ocorrendo por conta da criação de grande quantidade de vagas informais, ao lado do crescimento do número de trabalhadores por conta própria. Mas, no trimestre terminado em novembro de 2017, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o total líquido de contratações formais parou de cair, registrando estabilidade. Com uma provável melhora nos dados de dezembro, há grande expectativa de que o quadro de empregos com carteira assinada mostre recuperação. Hoje, a instituição divulgará a Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) Contínua, com os dados do mercado de trabalho do último trimestre do ano passado.


Recuperação

O setor de hotelaria é um dos que vêm registrando aumento do número de empregos formais. A rede Accor, por exemplo, espera criar 1.633 empregos diretos e 6.532 indiretos, em 2018, devido ao melhor desempenho das reservas. Segundo analistas, a recuperação dos postos de trabalho está associada à atividade econômica, que deve ter crescido mais de 1% em 2017 e tem perspectiva de expansão de 2,8% neste ano, de acordo com estimativas do mercado.

Bruno Ottoni, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), aponta que os dados de dezembro, um período de grande aumento do consumo, devem mostrar um aumento mais forte na contratação de profissionais com carteira assinada.

“Em 2018, ainda serão criados mais empregos informais do que formais, mas deve ocorrer uma geração expressiva de postos de trabalho com registro em carteira. É uma tendência nova”, afirmou.


O vendedor Mário Gomes, 28 anos, conseguiu emprego, há dois meses, numa loja de camisas estilizadas. Desde agosto do ano passado, ele entregava currículos nas empresas, em busca de uma vaga.

“Eu cursava administração e tranquei a faculdade por conta da minha condição financeira. Agora que eu voltei a trabalhar, não sei se volto a fazer um curso profissionalizante. Acho que preciso de uma maior garantia de emprego”, disse.

Opções

Gomes não vê o país em situação confortável do ponto de vista de opções de trabalho. Ele observa que os salários ainda são baixos e que não é fácil encontrar trabalho.

“As pessoas ganham para sobreviver, sem condições, realmente, de viver, aproveitar o dinheiro”, afirmou. “Por isso, procuro novos projetos, poder ganhar mais e ter maior segurança. Talvez o concurso público seja uma opção para mim, já que em Brasília é o carro-chefe.”

O economista-chefe e sócio do Modal Mais, Álvaro Bandeira, declarou que o emprego deve melhorar, mas ainda é muito complicado dizer que haverá uma criação vigorosa de vagas formais.

“Na verdade, a taxa de desemprego está muito alta. Não sabemos se haverá medidas que farão investidores acreditarem que estamos no rumo certo para o crescimento”, opinou.

É o que sente a estudante Raliele Fonseca da Silva, 20 anos. Há três anos procurando emprego, ela ainda não conseguiu a ambicionada vaga de trabalho. “A situação está muito ruim. Quem sai do ensino médio não consegue ingressar facilmente no mercado. Todas as empresas exigem experiência profissional”, reclamou. Raliele está no 6º semestre da faculdade de enfermagem, mas vai começar o curso do zero, porque conseguiu passar no vestibular para uma universidade federal. “Eu tento trabalhar em shoppings ou fazer estágio, mas, mesmo assim, é difícil”, lamentou a estudante.

Em entrevista na última terça-feira, a economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria,  destacou ser  normal, num momento de saída de crise, que a criação de empregos sem carteira assinada seja maior.

“Em 2017, pelos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), a economia parou de demitir. Estabilizou, mas não chegou a gerar vagas. Isso ocorreu em alguns setores, como o comércio e a própria indústria, mas não no total da economia, porque alguns segmentos, como a construção civil, ainda demitiram muito em 2017. Neste ano, devem ser criadas um milhão de vagas formais”, estimou.

Caixa incentiva demissões

A Caixa Econômica Federal abriu um novo Programa de Desligamento de Empregado (PDE). O prazo de adesão começa hoje e termina em 5 de março. “O objetivo é ajustar a estrutura ao cenário competitivo e econômico atual, buscando mais eficiência do banco”, informou a Caixa, em nota. Quem aderir terá um incentivo financeiro equivalente a 9,8 remunerações base, considerando como referência a data de 31/1/2018, pago em parcela única, sem incidência de Imposto de Renda e recolhimento de encargos sociais. O limite máximo de desligamentos está fixado em 2.964 empregados. Caso o número seja alcançado, a Caixa economizará R$ 500 milhões por ano a partir de dezembro de 2018.

Fonte: Jornal Águas Lindas / CB

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