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Julgamento de Sandra Faraj é adiado porque advogado estará em Goiás, mas presença é desnecessária

Recurso em Goiânia pode ser feito de forma digital. Mais oito advogados têm procuração para defender distrital.



O julgamento que pode condenar criminalmente a deputada distrital Sandra Faraj (sem partido) por estelionato foi adiado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal para 6 de março. Segundo o Ministério Público, a parlamentar obteve vantagem indevida ao embolsar verba indenizatória que deveria pagar um contrato de publicidade.

O advogado de Faraj, Cléber Lopes de Oliveira, pediu o adiamento da sessão alegando que fará sustentação oral de outro processo que estava marcado para Goiânia no mesmo dia da sessão do TJ do DF. O pedido foi acatado.

O cliente em Goiânia precisa que o advogado faça um recurso de agravo em execução. Segundo o Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Goiás, porém, esse tipo de ação não depende de sustentação oral – pode ser feito de forma digital.

O Jornal Águas Lindas obteve acesso a uma procuração que indica que mais oito advogados do escritório dele estariam autorizados a fazer a defesa de Faraj.


Furto de computador investigado

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o furto de um computador de Filipe Nogueira, ex-assessor de Faraj e dono da empresa de publicidade Netpub. Segundo ele, o escritório foi arrombado em 9 de fevereiro do ano passado. Na ação, os suspeitos teriam levado apenas o computador, deixando para trás outros itens valiosos.

Segundo o empresário, o computador tinha informações importantes, como as planilhas de custos de serviços prestados à Sandra Faraj.

"São arquivos que comprometeriam algumas coisas ou trariam questionamentos. Então, para evitar escândalos, ela pediu várias vezes para eu excluir esses arquivos", disse.


Após ser 'liberada' pelo partido, Sandra Faraj deixa Solidariedade

A Netpub firmou contrato com a parlamentar, em 2015, por R$ 174 mil para fornecer serviços de publicidade e informática, segundo o Ministério Público. Passados dois anos, a empresa diz que recebeu apenas R$ 31,8 mil desse valor.

No depoimento à polícia, o empresário contou que o furto ocorreu no horário em que ele estava ausente no escritório por causa de um pedido de reunião da chefe de gabinete da parlamentar.
O sumiço do computador é investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública e, na abertura do inquérito, o delegado afirmou que pretende ouvir a deputada.

Em nota, a distrital afirmou que não foi notificada e ouvida em relação ao suposto furto. Ela disse também que a acusação é

"mais uma história fantasiosa arquitetada com o objetivo de expor a imagem da parlamentar". "As acusações são levianas e não há provas", completou a deputada.


O caso Netpub

A relação da deputada com a Netpub tem outros capítulos. A distrital responde a uma ação de improbidade, que foi levada à Justiça em outubro de 2017, e pedia o pagamento de multa de R$ 426 mil, de indenização por danos morais de R$ 142 mil e o bloqueio de bens da parlamentar no mesmo valor, R$ 142 mil. Em janeiro deste ano, a Justiça mandou desbloquear parte das contas bancárias da deputada.

O Ministério Público argumenta que Sandra Faraj "se valeu do cargo que ocupava para auferir vantagem patrimonial indevida". De acordo com a ação, a "falta de honestidade e a deslealdade para com as relevantes funções que lhe foram atribuídas" justificam a suspensão dos direitos políticos por oito anos e a proibição de contratação com o poder público por cinco anos.

Outros casos similares ao da Netpub são investigados pelo MP, que deflagrou em abril de 2017 a primeira fase da operação Heméra. Na época, o irmão da distrital e pastor Fadi Faraj e servidores comissionados de Sandra também foram alvos da ação.

Desde junho, Sandra também responde na Justiça a uma denúncia pelo crime de estelionato, relacionado ao mesmo caso. Um processo de cassação do mandato por quebra de decoro chegou a tramitar na Comissão de Ética da Câmara Legislativa, mas foi arquivado em agosto.

Fonte: Jornal Águas Lindas / G1


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