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Falhas que vão desde as cotidianas a escândalos milionários, remetem descarrilamento.


O metrô da capital apresentou uma falha a cada sete dias só neste ano, totalizando oito irregularidades no funcionamento. O descarrilamento do trem ontem na Estação Arniqueiras, em Águas Claras, evidenciou as diversas deficiências técnicas e mecânicas: defeitos que acontecem no dia a dia, bem como escândalos milionários envolvendo a antiga empresa de manutenção.




Apesar dos transtornos, a Companhia do Metropolitano do DF ainda não calculou os prejuízos nem soube responder quando será feita a retirada total dos carros do trem que saiu dos trilhos.
A principal suspeita é de que a uma falha nos freios foi a responsável pelo incidente, ocorrido por volta das 9h. O mesmo veículo havia sido recolhido para manutenção no dia anterior, segundo o Sindicato dos Metroviários.

De acordo com o diretor de Operações e Manutenção, Carlos Alexandre da Cunha, o trem – de número 8 – apresentou a falha e, por prudência, o piloto solicitou que os passageiros evacuassem na estação Águas Claras.

“Não havia nenhum usuário no momento em que o trem descarrilou. O motorista o esvaziou e estava fazendo uma manobra para voltar ao pátio de manutenção. Nesse ato é que ocorreu o descarrilamento”, explica.

Ontem, profissionais de engenharia trabalhavam para adiantar o processo de retirada do trem. Por volta das 14h, um vagão foi removido. “Estava mais fácil, porque estava no trilho e não descarrilou. Os outros três serão içados com a ajuda de um ou dois guindastes. Então as equipes estão trabalhando para desconectar a parte elétrica”, diz.

A partir das 16h, os passageiros conseguiam chegar até a Estação Arniqueiras e 11 ônibus foram disponibilizados para fazer o transbordo de todos os usuários até a Estação Águas Claras – o que não evitou os transtornos. As faixas exclusivas da Estrada Parque Taguatinga (EPTG), da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), da W3 Sul e Norte e do Setor Policial Sul ficaram liberadas até as 23h59.

Falha prevista

O incidente poderia ter sido evitado. É o que diz a diretora de comunicação do Sindicato dos Metroviários (SindMetrô), Renata Campos. “A gente bate na tecla de que os trens não passam por manutenção adequada. Terça-feira o mesmo trem foi recolhido por conta do freio. Quando não tem reparo, a gente pode prever que uma situação como essa pode acontecer a qualquer momento, e com mais consequências”, dispara.

O sindicato não possui dados de quantas falhas o metrô apresentou no ano passado, mas garante que são corriqueiras. “Tem todos os dias. Só não é divulgado. Nosso equipamento é antigo, e o sucateamento acontece porque é inevitável. É impossível manter uma frota nova, sendo que a própria empresa adquire peças usadas”, critica. “Não adianta o governo querer ampliar antes de se preocupar com o que já tem. Tem que pensar muito, porque não é só aumentar, é pensar em segurança”, completa.

Cerca de 160 mil pessoas passam diariamente pelas 24 estações. No entanto, a população que pega o transporte em Águas Claras foi a principal afetada. Quem chegou a uma das estações à tarde deu de cara com uma placa informando quais estavam com o funcionamento normalizado.
Passageiro dá seus pulos

A solução, para alguns passageiros, foi pegar ônibus ou dividir a conta de aplicativos de transporte com outros na mesma situação. O comerciante Messias Mares de Jesus, 36 anos, precisava chegar em Ceilândia, mas estava na estação Arniqueiras. Pelo menos estava de bicicleta. “Não sabia que tinha estragado. Se eu soubesse não teria almoçado, porque pedalar de barriga cheia é mais difícil. Mas é o jeito. Não consigo entrar de bicicleta no ônibus”, relata.

O estudante Marcus Vinícius Soares, 23 anos, estava na estação Águas Claras e precisava retornar à Asa Sul, onde mora. “Uso metrô diariamente. Vai ser difícil voltar para casa, porque em Águas Claras não tem tantas opções de ônibus. Fui pego de surpresa”, lamenta.

Já Maria de Jesus, Ricardo Aguiar, Gil Macedo e Lucilene Vieira não se conheciam, mas na hora do aperto resolveram dividir a conta do transporte particular até o Guará.

“Ficou R$ 8 para cada. De lá vamos ter que pagar outra passagem até a estação Central e, de lá, pegar mais ônibus para chegar ao serviço”, critica a autônoma Lucilene Vieira. 

A estimativa da mulher é de que só ontem ela gastaria pelo menos R$ 20. “Quem vai pagar? Eu”, completa.

A reclamação da autônoma é ainda em relação aos problemas que os usuários do metrô enfrentam diariamente. “Se pudesse dar nota para o metrô, eu daria sete, porque para algo ele serve. Mas é um trem lotado, que muitas vezes tem confusão, bagunça, demoram a resolver o problema, sujeira”, exemplifica. “O problema é que a população fica calada. Eles veem a placa e saem calados, sem reclamar com um funcionário. Melhor fechar todas”, acrescenta.

Cartel

Em dezembro passado, o Ministério Público do Distrito Federal moveu uma ação civil pública contra a empresa que prestava serviços de manutenção do sistema metroviário da capital. O argumento da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público (Prodep) era de que a Siemens formou um cartel para fraudar a licitação para a contratação dos serviços, segundo investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Na época, o Ministério Público requereu um valor de quase R$ 240 milhões pelo atos ilícitos. Do montante, R$ 119 milhões foram por danos materiais – valor equivalente a 25% do total recebido pela Siemens ao longo dos seis anos de participação no Contrato nº 16/2007. O restante foi requerido para danos morais coletivos.

Fonte: Jornal Águas Lindas / Jbr

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