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“Tomb Raider: A Origem”: uma Lara Croft miudinha e simpática

A atriz sueca Alicia Vikander é o maior dos vários acertos nesta ressurreição da personagem





ara faz delivery de bicicleta em Londres, mora numa quitinete e anda tão sem grana que daqui a pouco o dono do ginásio onde ela treina MMA (e apanha, muito, das adversárias) vai barrar a sua entrada. Aleluia: foram-se embora a mansão que está há gerações na família Croft, a silhueta vulcanizada, as mil e uma habilidades marciais e a fortuna que torna tudo ridiculamente simples – e, em seu lugar, entra a miudinha e muito boa atriz Alicia Vikander como uma Lara Croft que ainda nem desconfia do seu heroísmo e, como qualquer garota que mora sozinha numa grande cidade, tem que se virar. A herança milionária deixada por Sir Richard Croft (Dominic West) ainda está lá, no banco.

Mas Lara se recusa a tocá-la porque, para isso, teria que reconhecer formalmente a morte do pai, desaparecido sete anos antes em uma de suas expedições misteriosas. Assim, ela terá de improvisar aqui e ali para chegar até a ilha remota, em algum ponto ao largo da China ou do Japão, onde Sir Richard acreditava estar a tumba secular de Himiko, uma nobre japonesa a quem, na tradição, atribui-se o poder de uma deusa da morte, que transforma em sangue tudo que toca. Para quem viu os distantes Lara Croft: Tomb Raider, que Angelina Jolie fez quando ainda não era virgem nem santa, sugiro apagar as más lembranças. Tomb Raider: A Origem é uma surpresa agradável que, se não marca pontos pela originalidade, ganha-os de volta com sua agilidade, simpatia e espírito de aventura.

O filme dirigido pelo norueguês Roar Uthaug (do comedido filme-catástrofe A Onda, um pequeno sucesso na Netflix) toma muito emprestado de Indiana Jones – não só a ação mirabolante e os hematomas e escoriações que sua heroína ainda inexperiente vai adquirindo, mas também a leveza e a medida certa de fantasia arqueológica.

Não se trata de plágio nem furto, mas de reconhecimento de que nunca se fez uma matinê tão boa e, nessas coisas, melhor seguir os passos de Steven Spielberg que de qualquer outro diretor. Os roteiristas se aproveitam, ainda, da melhor de todas as boas ideias de 007 – Cassino Royale, o filme que reapresentou James Bond na pele de Daniel Craig (na cena final, você vai entender o que quero dizer). E, se o vilão interpretado por Walton Goggins (de Os Oito Odiados e da série Justified) não causa maiores impressões, o filme se sai bem, mais do que tudo, na escolha de Alicia.

A atriz sueca não tem o porte de valquíria de Angelina, mas é tão atlética quando a sua predecessora e bastante mais hábil em definir uma personagem pela maneira como ela se movimenta – basta assistir a trabalhos tão diversos como os que ela fez em Ex Machina e em A Garota Dinamarquesa para conferir como a fisicalidade é um dos grandes talentos de Alicia.

Filmes baseados em games, mesmo quando são divertidos, tendem a resultar genéricos e a se encaixar na segunda linha de produção. Sem pesar a mão na estrutura de fases de jogo e acertando em quase tudo (inclusive na “isca” para o público chinês, com a presença do ator Daniel Wu e as locações em Hong Kong), Tomb Raider: A Origem fica bem acima da média e, com sorte, pode virar uma boa série.







TOMB RAIDER – A ORIGEM
(Tomb Raider)
Estados Unidos/Inglaterra, 2018
Direção: Roar Uthaug
Com Alicia Vikander, Dominic West, Daniel Wu, Walton Goggins, Kristin Scott Thomas, Derek Jacobi
Distribuição: Warner

Fonte: Jornal Águas Lindas / Veja

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