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Ex-servidor do Banco Central que matou moradores de rua está livre


De volta para casa, homem teve pena pelo duplo homicídio reduzida, mas está em regime aberto por crime semelhante.


Quase dez anos após matar a tiros dois moradores de rua que incomodavam na vizinhança, o ex-servidor do Banco Central José Cândido do Amaral Filho, 57, está em liberdade, aposentado e chegou a fazer curso de meditação. Em 19 de janeiro de 2009, o economista atirou contra a dupla que dormia no coreto da Praça do Índio. Ele foi condenado em 2011, e, segundo o advogado dele, terminou de cumprir a pena em abril de 2018. No entanto, o envolvimento em crime semelhante o mantém em regime domiciliar.

O homem foi preso em janeiro de 2009 pelo homicídio de dois mendigos no coreto da mesma praça em que o índio Galdino morreu incendiado 12 anos antes, na 703/704 Sul. Paulo Francisco de Oliveira Filho, 35, levou três tiros na cabeça e um na mão, e Raulhei Fernandes Mangabeiro, 26, foi baleado na cabeça. José Cândido disse em depoimento que viu os dois moradores de rua mantendo relações sexuais e agiu, indignado.

José Cândido foi condenado quase três anos depois do crime, em 16 de agosto de 2011. A pena foi estipulada em seis anos e oito meses, e deveria ser cumprida em regime inicial semiaberto. O tempo de reclusão foi diminuído em quatro vezes. Isso porque foi considerado que as vítimas provocavam e representavam ameaça, uma vez que se envolveram em casos de agressões, roubos e furtos. Além disso, exame psicológico constatou perturbação de saúde mental do acusado.

Em agosto de 2013, ele conseguiu autorização para trabalho externo via Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap). Com a medida, teve dias reduzidos da pena em ao menos oito vezes. Em junho de 2014, o condenado passou a ter saídas temporárias – de até 35 dias ao ano. A progressão de regime semiaberto para aberto ocorreu em setembro do ano passado.

Defesa nega outra morte

O juiz de Direito substituto Valter Andre de Lima Bueno Araújo considerou que o sentenciado cumpriu o tempo necessário para concessão da benesse. Na modalidade, o apenado deve trabalhar durante o dia e recolher-se no período noturno em prisão domiciliar. Em dezembro passado, o economista ainda conseguiu autorização para ampliar o horário fora de casa para frequentar curso de meditação.

Advogado do ex-servidor, Delcio Gomes de Almeida afirmou à reportagem do Jornal de Brasília que José Cândido “está gozando do benefício de cumprir a pena em casa”. Assim, está livre da cadeia, mas em prisão domiciliar. Almeida explica que a pena foi extinta neste ano, mas a inclusão do nome do homem em outro processo que “nada tem a ver” o mantém preso.

O crime que ele se refere aconteceu em Taguatinga, em março de 2006. A acusação diz que o analista fazia caminhada quando avistou Cleiton Mendes de Oliveira, 23, que teria o irritado ao pedir esmola. O morador de rua morreu com três tiros.
“A ele foi atribuída essa questão, mas ele nunca esteve lá”, diz o advogado, que revela que investigou e descobriu, por produção antecipada de provas, quem seria o real autor do caso. Ele deve apelar à Justiça pedindo revisão.

Memória

Em outubro de 2015, uma dívida de drogas motivou o assassinato cruel de Rita de Cássia Moura de Araújo. Ela foi queimada viva no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) por Willian da Silva Ferreira, que tentou matar outro homem na mesma ocasião. O acusado foi condenado pelo Tribunal do Júri de Brasília a mais de 25 anos dias de reclusão, em regime inicialmente fechado.

Em agosto de 2013, um morador de rua foi incendiado por homens encapuzados que jogaram gasolina e atearam fogo enquanto ele dormia em uma praça no Guará. A vítima foi internada em estado grave com queimaduras em 27% do corpo. Edivan da Lima Silva, 48 anos, morreu no dia seguinte.

Casos cruéis de atear fogo contra um ser humano remetem, quase automatica- mente, a Galdino Jesus dos Santos, o índio Galdino. Em abril de 1997, cinco jovens de classe média jogaram líquido inflamável e fogo no indígena de 44 anos que dormia em um ponto de ônibus da W3 Sul.

Os envolvidos fugiram, mas uma testemunha anotou a placa do carro e entregou à polícia. Com 95% do corpo atingido, a vítima morreu horas depois do ataque. Somente a parte de trás da cabeça e a sola dos pés ficaram livres da ação covarde. A praça ganhou uma obra de arte em homenagem ao índio. Os envolvidos foram condenados e, em 2004, ganharam liberdade condicional.

Fonte: JBr/Jornal Águas Lindas


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