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Eduardo e Mônica, e seus referentes

Bombou pelas redes sociais uma imagem em que alguém questiona o próprio membro daquela banda, adorada em Brasília e no país, a respeito de uma parte da letra de “Eduardo e Mônica”. Meu amigo e ilustre editor do Metro, Lourenço Flores, postou e também pulularam comentários a respeito. Foi interessante. Aliás, está sendo.





Como é o texto da postagem

Laís começa questionando Dado Villa-Lobos com as seguintes palavras: “Oi Dado! Geral tá com uma dúvida nervosa, responde pra gente, por favor?” E segue a imagem que viralizou: “Gente, na frase: ‘A Mônica riu e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar’, quem tentava impressionar era o Eduardo ou a Mônica? Pq eu sempre pensei que fosse ela mas hj ouvindo eu tive outra percepção rs”.

Ela, então, continua: “Quem é que tava tentando impressionar quem? Smp achei que era o Eduardo!”. O (talvez) Dado responde: “Oi Laís, pela regra do português a Monica tentava impressionar o Eduardo. Senão seria: …o boyzinho que tentava impressioná-la. abs”. (Tudo copiado como está)

Fazer-se entender não é tão fácil

Escrever é fácil sim. Mas fazer com que a ideia chegue até a mente do seu interlocutor é tarefa cheia de engenharia. Ainda mais pra uma plateia vasta. Até foi sugerido, entre os comentários, perguntar aos personagens que inspiraram a criação de Eduardo e Mônica. Eles poderiam esclarecer o fato (como fez o Dado), mas não resolveriam o problema sintático.

Aliás, nem Dado esclareceu a situação sintática. O critério de autoridade (ele próprio, como um dos autores, e a “regra do português”) não serviu. Como eu disse acima, ele deixou claro quem tentava impressionar: Mônica. Mas segundo que regra do português?

Um problema de referência

Na linguagem temos a necessidade de retomadas de referentes, é como chamamos, para saber a que um termo se refere. Precisamos de uma boa base para termos certeza do significado de um pronome. Na frase: “O boyzinho que tentava impressionar”, temos o “que” sem uma certeza da retomada.

Tentando, agora, usar a regra do português para referentes, vemos que o pronome retoma algo que não se sabe o que é. A sintaxe usada não ajuda. Note que a frase pode ser “O boyzinho tentava impressionar ‘que’”, ou “’Que’ (sujeito) tentava impressionar (vazio)”. Nesta o Dado completou com o “-la”. Se fosse Eduardo. Mas, segundo uma regra do português, usando uma preposição deixaria claro que se trata de Mônica: “O boyzinho a quem tentava impressionar”, ou “ao qual tentava impressionar”. Falamos, aí, do “objeto direto preposicionado”, que serve para dirimir dúvidas (que, evidentemente, ficaram).

Semanticamente, Eduardo estava bêbado, não tentava impressionar. Só pensava em ir pra casa. Era mesmo Mônica. Juntar sintaxe e semântica é arte.

Fonte: JBr / Jornal Águas Lindas

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